A bicicleta vai à periferia

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É sabido por todos que embora exista um movimento grande de conscientização do uso da bicicleta nas grandes cidades, esse movimento nem sempre atinge todos. Os moradores das ditas áreas nobres da cidade, tão logo começam a usar a bicicleta, já entendem aquele meio de transporte como todo um estilo de vida mais saudável, mais livre, menos poluente e menos preso ao trânsito. Já os ciclistas das áreas desfavorecidas socialmente começam a usar a bicicleta por necessidade. Eles precisam se locomover. Não são ativistas, são meros pedalantes. Com o tempo, podem até desenvolver uma maior consciência sobre o seu papel no mundo como ciclista, mas isso não acontece sempre. Ou seja, qualquer fala no sentido empoderar ciclistas precisa levar em conta essas duas realidades.

Na esteira dessa discussão, vale ressaltar que vários movimentos têm pipocado no Brasil no sentido de levar o cicloativismo para áreas ditas periféricas. Um exemplo disso é o Maré Sem Fronteiras, que tem por objetivo valorizar a memória e a cultura local por meio de mobilidade entre diferentes comunidades que formam a Maré. O foco é dar autonomia para a criança e o adolescente da região. Com as chamadas bicicletadas, o público-alvo do projeto é levado a diversos pontos da Maré por meio da bicicleta. A região é ideal para passeios de bicicleta, pois é plana. O que fica faltando mesmo são as famigeradas ciclovias.

O questionamento que fica no ar é: e se o plano cicloviário no Rio fosse mais engajado e ligasse as diversas regiões periféricas ao Centro, Zona Sul, etc? Essa é apenas uma iniciativa entre outras, mas que como sempre partem do interesse de determinados grupos, raramente vindo do governo.