O Futuro da Mobilidade Suave

IMG_8784

 

Muitos têm se perguntado sobre a que pé estará a economia nacional e mundial quando enfim conseguirmos nos livrar do pesadelo corona. Apesar dos prognósticos negativos, que têm sim lá sua razão, queremos com esse texto apresentar motivos para pensar que as coisas ficarão melhores depois disso tudo.

Eis alguns pontos a considerar

  1.  É provável que as pessoas usem menos transporte público (aquelas que puderem fazer isso), uma vez que a aglomeração é um fator de contágio. Podemos ter a vacina, mas ela não estará liberada para todos. Isso vai significar mais uso de carros, o que não é exatamente alentador. 
  2. De alguma forma, apesar do medo que ronda as pessoas em relação a dinheiro agora, é fato que muitas estão gastando menos nesse momento. Elas vão querer usar esse dinheiro guardando durante a quarentena, o que pode ser positivo para diversos mercados.

A nossa querida Greta já apontava sabiamente minutos antes do caos: o problema é a maneira irresponsável pela qual lidamos com o meio ambiente. Talvez um colapso total seja uma maneira de provocar uma reinvenção do mundo. Maneira legítima de renovar.

Um outro fator a se considerar é que a crise que vivemos agora não é essencialmente econômica. Ou seja, ela não nasceu de uma insuficiência econômica global, embora muitos apontem para essa possibilidade há já muito tempo. Não é o caso atualmente. Tivemos uma crise biológica que acarretou consequências econômicas. 

O aumento do uso de carros como apontamos anteriormente pode até vir de maneira mais promissora também. Dificilmente as pessoas vão querer repoluir o planeta, o que pode gerar um aumento no número de carros elétricos. Os carros elétricos, como sabemos, embora não perfeitos, são bem melhores que os conduzidos por combustíveis fósseis em termos ambientais. 

Por causa do coronavirus, o novo mundo de 2022 é um lugar onde ainda não conseguimos colocar as mãos. Mas algumas coisas já podemos projetar. Não estamos preparados para viver a 1,5m de distância de tudo e todos. Isso terá que ser inventado. E nesse cenário de novas distâncias mínimas, a bike se destaca porque ela justamente promove esse espaço agora necessário. Além de ser limpa e causar bem menos impactos ecológicos que um carro, seja tradicional ou elétrico.  

O futuro é, como sabíamos desde sempre, é a bike. Só não sabíamos que essa seria uma evidência tão exposta. Que o mundo precisaria descartar aglomerações. Mas agora tem e tudo indica que isso vai durar. Então, mais uma vez, as magrelas estarão lá, prontas para oferecer respostas para um mundo mais sustentável e saudável.

Por exemplo, a primeira cidade a adotar o lockdown – Wuhan, na China – registrou em suas cercanias uma redução considerável da emissão de dióxido de nitrogênio, gás nocivo emitido por carros e instalações fabris. Esses dados foram averiguados pela NASA (com seus satélites) e divulgados pela BBC. E discutidos pelo mundo inteiro depois.

IMG_8822Provavelmente é um efeito real; não é muito complexo entendê-lo: assim que você desliga o motor do seu carro, ele não emite mais e assim que um avião pára de voar, ele pára de transmitir. Mas acho que temos que ter cuidado, para não nos alegrarmos muito rapidamente, porque é uma cessação artificial da atividade econômica. Não é necessariamente uma situação duradoura.

Mais para frente, diversos outros estudos parecidos foram realizados com cidades que estavam experimentando o confinamento como o primeiro epicentro chinês. Os resultados eram sempre parecidos: contínua redução na poluição. Essa primeiríssima análise sobre os efeitos da quarentena confinada do mundo é, em alguma medida, bastante animadora.

Ela nos faz pensar em quantos dos nossos numerosos deslocamentos diários são de fato necessários. Será que aquela reunião super distante no meio do dia não poderia ser substituída por um e-mail ou uma videoconferência? Será que precisamos poluir tantas vezes o planeta? A resposta é muito simples. E pode ser aplicada em diversas esferas. Não só no assalariado que pega ônibus para ir pro trampo ou aquele aluno de um curso que certamente caberia no formato EAD.

Também para os políticos, cuja atividade profissional diversas vezes é muito onerosa para nossa tão querida carga tributária. Como anunciou o site da Câmara dos Deputados, em 25 de março desse ano ocorreu a primeira sessão virtual de votação. Imaginem o quanto isso não representa de alívio financeiro para todo o país. São também vários deputados pegando menos ubers e poluindo sem necessidade nossas cidades.

O teletrabalho se tornou uma possibilidade real, o que muito provavelmente nunca tinha de fato saído do papel na maioria das empresas por motivos culturais e outros. Agora não existe mais desculpa. Todos estamos nos virando assim e estamos vendo que é possível. Logicamente que não será viável transformar todas as atividades profissionais em lives, mas muito certamente várias tarefas são sim factíveis num ambiente a distância.

Portanto, permito-me fazer uma pergunta: você não acha que a Terra se defende do que a fazemos sofrer impondo esse vírus em nós? Eu afirmo que o que acontece conosco não é um castigo infligido por um deus ou demônio, mas simplesmente um grito da natureza que nos alerta que chega ao fim de suas possibilidades, que o copo está cheio e que as consequências podem e podem ser terríveis para os seres humanos.

Sim, através do Covid-19, a natureza e a Terra nos alertam que, continuando essa jornada do homem, o homem corre para a sua perda. Seremos capazes de ouvi-los a tempo? Ou continuaremos usando desculpas para prosseguir poluindo o planeta, agora desnecessariamente? Agora com dados e fatos, vivido por muitos. Não há mais necessidade. Isso precisa ficar como um possível legado do nosso atual calvário. Onde há o bem maior nisso?

Realmente não fazemos ideia do que existe fora da caverna. Chegamos ao ponto de achar que o modelo em que vivemos é sinônimo de prosperidade e/ou felicidade. A torcida pelo retorno daquele modelo econômico baseia-se em uma visão individual de prosperidade e não de prosperidade para todos. Esse modelo só se sustenta na escravidão da maior parte da população. Mas enquanto o sistema tentar se mantém da forma como está, o buraco só vai aumentar.

E em algum momento num futuro próximo colapsar totalmente.nfrente o medo e torça pelo colapso total de tudo! Só assim haverá renovação.

nova logo camelo urbano_curvas_FINAL_RGB