Arquivo mensal outubro 2017

porLucas Pavel

A Lei é clara, mas suas implicações não são

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A lei é clara, porém desconhecida (como sempre). O transporte não motorizado tem prioridade sobre o motorizado. E o motorizado público tem prioridade sobre o motorizado individual. Está na Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei n. 12.587/12). E este fato foi recentemente levantado pelo Senado Federal para refrescar nossas esquecidas memórias. O princípio por trás dessa lei é fácil de se interpretar. Prevalece o transporte não motorizado porque ele é o mais frágil dentro do trânsito. O que nos faz pensar imediatamente que o pedestre vem muito antes nessa equação. Ele é o item zero que não está mencionado por ser (quase) muito óbvio. E o transporte público tem preferência por transportar mais gente. Ou seja, é mais útil para a população como um todo. E para a maioria dela.

Nesse raciocínio, portanto, a bicicleta figura em posição de privilégio, já que depende bastante de material humano para acontecer. A bicicleta é o ser humano no seu grau “motorizado” mais rudimentar. Mas tão frágil quanto qualquer pedestre. Isso está estampado em qualquer pergunta que tenhamos feito a ciclista que entrevistamos na rua em nossas andanças. O principal fator que impede as pessoas de usar a bike como transporte de fato é o medo de sofrer algum tipo de acidente.

Ora, esse medo é legítimo e nos diz muitas coisas. Nos diz que de nada adianta uma lei bonita e sensata e um rememoramento bem bolado pelo Senado se não existe estrutura para andar de bicicleta nas ruas das nossas cidades. A bicicleta tem vantagem, mas quando o ciclista de fato vai pisar na rua ele sente medo das vias com velocidades absurdas e sente falta de um espaço só seu. Os projetos estatais que focam na mobilidade urbana da bike são erráticos e mal planejados. Não enxergam o todo. Se alargar mais ruas e construir mais viadutos, como vem acontecendo, isso vai gerar mais carros ainda. E as pessoas ficam com cada vez menos vontade de pedalar. Precisamos de um plano ordenado e de legisladores menos hipócritas que de fato entendam do trânsito.

Algumas ideias têm sido ventiladas no sentido de instalar ciclovias em vias expressas como a Avenida Brasil ou outras. Isso é algo interessante a ser estudado, porém com bastante cuidado porque vias de alta velocidade têm grande vocação para causar acidentes fatais. Mas a ideia é de fato boa, especialmente porque dá acesso à população de baixa renda a um tipo de mobilidade menos convencional e poluente e bem mais inteligente.

porLucas Pavel

Ecos desafinados para o “futuro” do carro

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Muito se fala sobre o futuro do automóvel. A humanidade já entendeu, embora não seja unanimidade, que a queima de combustíveis fósseis é o fator que mais afeta o tão temido aquecimento global e todas as suas consequências indesejadas. Digo que não é unânime porque ainda é possível se ver alguns ecos e esforços tecnológicos que pretendem revitalizar o automóvel tal como os enxergamos hoje em dia. E esses movimentos, quaisquer um deles, representam um retrocesso ao nosso ver.

Um desses ecos é o carro autônomo, ou seja, aquele que se dirige sozinho. Não está muito claro, ao nosso ver, o que motiva uma pessoa a ter um carro que não vai dirigir. Se o motivo é a liberdade ou a oportunidade de fazer outras coisas enquanto se está no carro, me parece que essa é a maior das irresponsabilidades que se pode conceber. Ora, se tantos acidentes de automóvel já acontecem diariamente com a presença de motoristas, o que se pode esperar se eles não estiverem no seu controle primeiro? Além disso, testagens desse sistema até agora têm se mostrado bem fatais. E o principal problema se mantém intacto: a poluição continua existindo.

Um segundo eco que encontra muitos repetidores é o carro elétrico. Supostamente limpo, ele acaba sendo a “opção ecologicamente correta” para muitos defensores do carro. Só que o que poucos sabem é que os mesmos gases e poluentes são emitidos nas usinas onde a eletricidade é produzida e usada para carregar baterias. Esse caminho, além de ser poluente, não diminui em nada o caos do trânsito das grandes cidades.

É muito assustador ver tantos esforços e tanta criatividade sendo desperdiçados para promover o “futuro” do carro. O carro não precisa de um futuro. O futuro dele já é certo, mesmo que não se faça nada. O verdadeiro futuro do carro é a bicicleta. Precisamos injetar criatividade para gerar soluções para a viabilidade da bike nas cidades. Isso sim é um bom investimento mental. E muitos esforços estão sendo feitos nesse sentido, como a Secretaria Municipal de Conservação do Rio que já está estudando a expansão das ciclovias em Sepetiba e ampliação das faixas no Recreio. Também se estuda o aumento das ciclovias no Centro. Sem falar do Plano Diretor Cicloviário, que vai analisar a demanda por novas rotas. Esses sim são exemplos de tentativas para promover um futuro viável do ser humano no planeta que habitamos.

porLucas Pavel

DIA DAS CRIANÇAS

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Estamos bem acostumados a associar a bike à infância, afinal muitos brasileiros aprendem a pedalar ainda pequenos, na fase das famigeradas rodinhas. E embora a associação seja correta, ela não dá conta da totalidade dos casos. Afinal de contas, muitas pessoas aprendem a andar de bicicleta e passam a adotá-la como transporte na fase adulta de suas vidas. E isso tem acontecido cada vez mais, o que é muito positivo.

A verdade é que tanto adultos quanto crianças passam por algumas dificuldades ao enfrentar a cidade via magrela. No caso dos menores, como verificado em entrevista recente com pais de ciclistas mirins, a preocupação com infraestrutura e segurança é uma tecla muito batida. Se a existência de instalações cicloviárias seguras já é um fator primordial para adultos, no caso das crianças, a atenção fica redobrada porque qualquer descuido pode ter consequências muito indesejadas.

Para evitar esse tipo de percalço, a cadeirinha é um acessório muito importante. A bike com cadeirinha combina as vantagens de um carrinho de bebê e o “plus” de uma bicicleta, garantindo uma opção moderna e eficiente de mobilidade. Enquanto volta de um passeio, seja um mergulho no mar, um parque ou a casa de amigos, o neném pode dormir na cadeirinha e o ciclista terá tranqüilidade para voltar para casa. Além disso, é um acessório seguro, confiável e divertido.       

As vantagens de trazer para a criança o hábito de pedalar são incomensuráveis. Além do fator distração, afinal qualquer criança adora uma aventura de bicicleta, os pequenos aprendem muito com uma simples volta de bicicleta no bairro. Aprendem sobre os pontos importantes de sua localidade, monumentos, prédios históricos, praças etc. E também descobrem quem são as pessoas que moram no seu bairro, o que ajuda bastante a criança a sair do casulo e da zona de conforto propiciada pela casa.

A bicicleta é o primeiro grande momento de vivenciar a diferença. Além de ser interessante no sentido cívico da coisa, afinal os pequenos têm a chance de conhecer e respeitar as regras previstas para a organização do trânsito.

E talvez a cereja desse bolo seja o fato de que pedalar é um programa gratuito. Tudo relacionado a crianças é bem caro, especialmente no quesito lazer. Mas a bike é um contraponto interessante para esse consumismo associado ao mundo infantil.

Por isso, no Dia das Crianças, leve seus filhos, sobrinhos, irmãos, primos, netos etc para um parque próximo à sua casa e mostre para eles que pedalar vem sim desde pequeno.

 

porLucas Pavel

UM PLANO DE MOBILIDADE MAIS GLOBAL

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A cada dia que passa, mais e mais pessoas adotam a bike como meio de transporte e têm a oportunidade de transformar suas vidas. Na verdade, é uma pena que o Estado não esteja acompanhando de forma efetiva as mudanças necessárias para tornar o CICLISMO uma atividade segura. Não se pode perder a oportunidade de dar um salto no setor da mobilidade Esse tema é fundamental para sermos felizes e ainda mais se considerarmos que a Cidade Maravilhosa vai sediar o maior evento de mobilidade cicloviária em 2018.

O Rio ainda não conseguiu dar um salto no setor da mobilidade. Os últimos 20 anos não ajudaram a mobilidade carioca. E por isso ainda estamos com apenas 1% de uso da bicicleta no país enquanto 7% em média nos países da Europa, mesmo com o clima europeu nem sempre ajudando essa transição. Por isso temos um desafio grande: precisamos de ciclovias, de ciclofaixas  e de integração do uso da bicicleta com o trânsito da  cidade.

Essa nova infraestrutura cicloviária robusta que não existe deveria fazer certamente parte do próximo plano de mobilidade da cidade. Além disso, as pessoas percebido que não é apenas o trânsito que deve ser discutido, mas tudo que ele envolve. Talvez a maneira mais simples de combater o aquecimento global, por exemplo, seja escolhendo uma forma alternativa de locomoção, diminuindo pela metade o uso do automóvel, substituindo-o por uma bicicleta.

As pessoas perceberam que com isso podemos reduzir as emissões de carbono no mundo. As pessoas perceberam que isso tem um impacto claro na qualidade de vida do planeta e que só teremos uma boa cidade se cada um contribuir para a diminuição da produção de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. 

No livro do ex-vice-presidente americano Al Gore, “Uma Verdade Inconveniente” inicialmente nós do Camelo não percebemos o que o título realmente queria dizer. Antes achávamos que o que era inconveniente era ficar defendendo a causa do meio ambiente. Nada disso: a verdade inconveniente tem a ver com o comportamento individual de cada um. Ninguém quer colocar o dedo na ferida e perceber que quem está superaquecendo o planeta somos todos nós.

Todos temos nossa parcela de culpa. O que nós percebemos agora é que no caso do tema da mobilidade, nós não podemos continuar a desperdiçar o nosso precioso tempo engarrafados no trânsito, nas filas, na espera pelo transporte. O uso da bicicleta como meio de transporte tem provado ser uma opção eficiente, saudável e barata. E tem mais: bicicletas são um transporte ativo não poluente, que é seguro, rápido e ecologicamente correto.

Andar de bike é um exercício gostoso, que se faz com prazer e que traz um benefício geral e democrático. No próximo engarrafamento que você enfrentar, considere a ideia de usar a bicicleta como meio de transporte urbano viável e possível e ajude o Camelo Urbano com ideias e sugestões.

porLucas Pavel

NÚMEROS PODEROSOS CONTRA O CARRO

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Os números são contundentes até pra quem não é muito afeito a estatísticas. Segundo pesquisa carioca, apenas cerca de 23% da população usa de fato carro para se locomover. A grande esmagadora maioria opta por transporte público, bicicleta ou ir a pé aos lugares. Esses dados fazem qualquer um pensar numa matemática simples: ora, se a minoria da população de fato se vale do carro, por que ele ocupa tanto espaço nas nossas ruas e tempo das nossas vidas? A resposta é simples: somos uma sociedade carrocêntrica.

A gente aprende a acreditar que ter carro é ter status, sucesso. Ou seja, andar de carro é sinônimo de ter se dado bem na vida. Só que se olharmos com calma, além de ser extremamente egoísta esse raciocínio, pois faz com que milhares de pessoas paguem pela sua escolha de ter um carro, ele é bem falso. Sucesso é ser saudável, não poluir o meio ambiente, curtir a sua cidade ou seu bairro mais de perto, e, ainda de quebra, gastar pouco. Esses sim são indicadores de que você está sendo um bom ser humano no planeta  onde habita. E para isso, a bicicleta é o melhor transporte.

Como se essas reflexões não bastassem, ter carro é bastante caro. Não só o preço isolado do carro, ou seja, o valor para sua aquisição, mas todos os gastos envolvidos (taxas, combustível, vistoria, manutenção etc). Na semana passada, chegou à nossa redação um link muito interessante de um site (https://autocustos.info/BR) que ajuda você a entender, numa escala anual, os gastos associados a se ter um automóvel. Fizemos nossos cálculos e ficamos assustados.

Dependendo do seu uso, em 2 anos você pode recuperar o valor do seu carro só em gastos. É um grande contrassenso econômico manter-se um carro. E agora, quais será sua atitude diante desses dados tão poderosos? Tem certeza que o carro é o melhor transporte para o ser humano? Apenas reflita.

 

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