Crise de Mudança

Crise de Mudança

 

A crise viária do Brasil está ensinando uma série de lições valiosas para os nossos cidadãos. Capacidade de resistir diante de momentos adversos, paciência, capacidade de organização, de reivindicação coletiva. A crise está mostrando quem de fato detém o poder. O governo está ali (ou deveria estar) para representar os interesses da população. E não o contrário. E isso tem ficado claro depois da paralisação que já afeta o país todo.

Dentre todos os aprendizados proporcionados, talvez o maior deles seja a necessidade de inovação. Em todos os sentidos, político, moral, econômico… Mas principalmente no que tange à forma como organizamos a circulação de bens e pessoas pelo país. Ora, não é de agora que precisamos repensar nosso transporte. Não faz sentido depender de rodovias, muito menos de combustíveis fósseis que são finitos. A eletrificação dos motores é uma realidade lá fora e poderia perfeitamente estar sendo implantada aqui. Em outras palavras, devemos fazer uma transformação na mobilidade brasileira contemplando transportes individuais – e a bicicleta é a melhor opção nesse caso! – e apostando em energias renováveis.

Muitos brasileiros se alarmaram em busca de abastecimentos sobressalentes para poder suportar a crise. Mas o caos vai muito além do nível comida e bebida. Serviços públicos essenciais foram afetados: transporte, saúde, acesso à informação, aos remédios. Em níveis que não podemos nem sequer controlar. Mas o espaço que a greve deixou nem sempre foi negativo.

Existem registros de menor poluição, menos roubo de carga, menor gasto com combustível. Lógico, existem aqueles que resolveram encarar as filas quilométricas dos postos de gasolina, pagando absurdamente mais caro para ter o suposto conforto dos seus carros.

Mas aqueles que resolveram embarcar no que a crise tinha a ensinar fizeram coisas maravilhosas. Racharam carona com os colegas de trabalho, poluindo menos a ambiente e otimizando o trânsito. Utilizaram o transporte público em vez do particular. Resolveram ser mais sustentáveis e comeram o que tinham na geladeira e na despensa. Alguns até plantaram nas suas hortas caseiras, venderam seus produtos limpos em mercados locais. Muitos passaram bem menos tempo no trânsito. Ou seja, a grande crise que se mostrou para nós foi a crise de mudança do país. E também ficou evidente seu potencial de superação.